03/10/2011

Poemas que te escrevi



Foram tantos…foram mil,
Quantos ao certo nem sei,
Mas foram a forma gentil
De dizer como te amei.
Outros tantos, escreveria,
Pondo neles tanto ardor
Se com eles conseguisse,
Ter de volta o teu amor.
Mas quando tudo findou
Para quê ser pueril,
Tanto vale um só poema
Como valeriam mil.
Foram tantos os poemas
Da minha mente febril…
Diz-me lá que já nem sei,
Foram poucos? Foram mil?
Manuel Assunção/2009



Por onde andas mulher


Por onde andas mulher
Se te procuro por aí
Fico triste, fico sem jeito,
E com um aperto no peito
Se penso que te perdi.
Mulher…aí mulher!
Se te procuro noite e dia,
É porque o meu corpo te quer
E sem ti, vive em agonia.
E sempre que  te procuro
Sem saber se te acharei,
Caio sempre no escuro
Que eu nunca desejei.
Porque me foges mulher
Se tu és quem tanto quero;
Eu não quero uma qualquer…
É por ti que sempre espero.
Solitário vou andando
Com um desejo na mente,
Procuro por ti mulher
Numa busca permanente.
Por vezes até te vejo
E sinto mesmo ao meu lado,
Mas no momento do beijo…
É quando fico acordado.
Não me fujas mais mulher
Pois sempre te vou procurar,
Não vais conseguir esconder
Aquilo que quero achar.
Eu sempre te procurei
Pois tu és a raridade;
Foi contigo que sonhei
Essa é que é a verdade.
Mulher…mulher!
Porque me foges, então,
Deixa-me em ti colher
O fruto desta paixão.
Pois se nunca te encontrar
Porque fugis-te , assim;
Os sonhos, irei matar;
Pois não quero mais sonhar
Sem te ter junto de mim.
Manuel assunção/2010




O Beijo e o ensejo


Ai beijo beijo
És a minha perdição,
Pois que quando tenho ensejo
Beijo o teu corpo todo
Sem quaquer inibição.
Ai beijo beijo
Porque me deixas assim;
Perdido neste desejo
Que tomas conta de mim.
E no beijo que te dou
Amor…fica a loucura que eu sinto,
Nada em mim se amansou
Pois o desejo aumentou…
E nada em mim fica extinto.
Ai beijo beijo
Se sentires seu fogo ardente,
Vais enlouquecer de repente
Porque é esse o meu desejo.
Ter-te contida no meu beijo
Perdida e apaixonada
Sentindo que és desejada…
Isso…se eu tiver tal ensejo.
Diplomata/2009

Minha alma existe



Minha alma é um bem
Que um dia, me emprestaram,
E à noite vai e vem
Procurando, quando a chamam,
Sua origem no além.
Minha alma  tão sensível
Vive em mim sem eu a ver,
Porque ela é invisível
Mas eu sinto-a, no meu ser .
Mas há quem isso não sinta
E por aí vá perguntar,
Se não será paradigma
Da mente a delirar.
E se a alma não existir…
Se for só convicção ?
E a gente nunca partir
Retidos aqui no chão?
Não…a minha alma existe,
Por isso posso sonhar.
Sem ela não poderia
Por pena também chorar.
A nossa alma é etérea
É tão leve como o ar,
Toma conta do imaginário
Quando estamos a amar.
Por vezes tem muita gente
Tão ruim e tão maldosa
E que de forma acintosa
Confunde a nossa mente.
Essas são almas perdidas
São da regra, a excepção,
Transviadas noutras vidas
Cumprem sua expiação.
As almas são todas boas
E aquelas que o não são,
Estão a espiar os pecados
De uma outra concepção.
Mas em certas subtilezas
Nos gestos de afecto e ternura,
Ficam à vista as certezas
Que a alma…
Não é ilusão ou loucura.
Manuel Assunção/2001 


GRITO


Grito na alma calcado
Que nunca se fez ouvir,
É um grito abafado
Que jamais irá sair.
Esse grito envergonhado
Oculto e silencioso,
É sentimento raivoso
Na minha alma guardado.
As injustiças cruéis
Que assisti, sem ter gritado,
São pinturas sem pincéis
De tanto ser maltratado.
Deveria ter gritado
Deveria ter coragem,
E esse grito soltado
Não o guardar na bagagem.
Assim… deixei-o guardado
Na bagagem do meu ser;
E talvez lá vá morrer
Sem nunca o ter gritado.
Mas se um dia se soltar
Irás entender a razão,
Desta minha solidão
Que nunca te quis mostrar.
Pois esse grito retido
É desilusão…é tristeza,
É um misto de incerteza
Neste mundo tão perdido.
Manuel Assunção/2009.06.30


Morrer por amor



Ouvi  dizer a alguém
Que muito sofreu por amor;
Que quis morrer dessa dor
E leva-la para o alem.
Quem pode assim pensar
Decerto que não amou,
E pelo tempo passou
Sem saber o que era amar.
Enamorou-se sofreu
E por amor quis morrer,
Mas uma coisa esqueceu...
O amor se for amor
Não nos deixa a sofrer.
Confundiu o sentimento
Que abalou seu coração,
E o que pensou ser amor
Não passou de ilusão.
Foi sofrendo a amargura
Esqueceu-se que existia,
Deixou de sentir ternura
E perdeu a alegria.
O amor não nos faz mal
Nem tão pouco é cruel,
Não pode saber a sal
Porque ele sabe a mel.
Cada amor que não deu certo
É pagina que se arrancou,
Não deve ficar por perto
Se foi algo que magoou.
Morrer de amor...é loucura,
Insanidade total;
Ninguém anda à procura
Daquilo que lhe faz mal.
A tentação quando vem
Trás varias caras consigo,
E olha que eu sei bem
Aquilo que aqui te digo.
Encontra um amor a valer
Que seja bom para ti
E brilhe mais que um rubi...
E não vais querer morrer.
Diplomata/2010


Alma quebrada…



Alma quebrada…
Como um espelho partido e esquecido no chão…
Foi assim que me deixaste no dia em que transformaste
Meu coração em mil pedaços…
Fiquei vazia…
Vazia de sentimentos…
Vazia de alma…
Vazia de ti…
Não quebraste apenas o meu coração.
Quebraste também o meu corpo.
Esse corpo…
Esse corpo que tantas vezes usaste,
O corpo com o qual tanto saciaste
Esse teu desejo unicamente carnal…
O corpo que muitas vezes deixaste esquecido debaixo do lençol…
Deixaste-me só…
Levaste o meu amor próprio,
Levaste o meu chão…
Deixaste uma mulher triste,
Amargurada e nua…
Mas não um nu físico…
Deixaste-me nua de esperança,
Nua de espírito…
Com medo de me partir,
Pois levaste também a minha vontade de amar de novo…
Agora, esta alma vazia e fria
Não tem sonhos, não tem anseios…
Só receios…
Esta alma que desprezaste … desapareceu…
Resta uma montanha de estilhaços
De tão grande que era a alma
Que, um dia, tu quebraste…
Restou… Restou uma alma quebrada…
Manuel Assunção
(Diplomata)



Meu pensamento








Meu pensamento
Cortando o espaço sem fim
Meu pensamento voou,
Em estranhas divagações…
Deixou de saber quem eu sou.
Misturou-se com as estrelas
Na ânsia de recordar,
Porque foi que se perdeu
E saiu do seu lugar.
Viu novos mundos…luares;
Viu tantas cores, sentimentos,
Origens e pensamentos…
Mergulhou em tantos mares.
Baralhou suas memórias
Nessa viagem astral,
Esqueceu todas as histórias
Do seu passado ancestral.
Divagou nessa loucura
De tanto mundo perdido,
Mas andou sempre á procura
De um sentimento esquecido.
Mas qualquer coisa ficou
Lá no fundo, enublado,
Pois no dia em que voou,
Não esqueceu que foi amado.
Anda agora distraído
Lá num espaço sideral;
E acabou dividido
Entre o que é bem e é mal.
Escondido nesse espaço
Que o encantou e perdeu,
Meu pensamento ainda pensa
Que o teu amor será seu.
Cortando o espaço sem fim
Meu pensamento sorri,
Mergulha em divagações
Mas não se esquece de ti.
Diplomara /2010