13/10/2011

Vida



Vida que tanto me deste
Do nada que te pedi,
E agora tudo tiraste
Daquilo que recebi.
Mas contudo sempre digo
Podes dar podes tirar
Leva tudo o que quiseres…
Por isso não vou chorar.

Vida que passas correndo
Com alegrias e tristezas,
Em remansos tranquilos
Ou abismos de incertezas.
Geraste em mim ilusões
P'ra ficarem na lembrança ;
Roubaste as recordações
E levastes a esperança.   
Vida que tanto me destes
E que um dia devolvi;
Deixaste em mim o desejo
De não querer olhar p'ra ti.
Por isso podes levar
A minha alma perdida,
Porque nem quero lembrar;
Que um  dia…tive vida.

Manuel Assunção


Um dia tive um amor



Um dia tive um amor
Que se perdeu por aí,
Não lhe dei muito valor
E só tarde percebi.
Foi um amor de romance
De estrelas, sonhos e mar,
Foi um amor tão intenso
Que julguei nunca acabar.
Mas na vida sempre queremos
O pulsar de um grande amor,
E por vezes nem o vemos
Nem sentimos seu calor.
Um dia tive um amor
Que se foi e não voltou,
Tal e qual como uma flor
Que o vento desfolhou.
Hoje cego de paixão
As pétalas quero agarrar,
Vou olhando para o chão
Sem jamais as encontrar.
No silencio que me envolve
Oiço ainda o desfolhar,
Que o eco me devolve
Para assim me castigar.
Um dia tive um amor?
Ou só mera imaginação?
Mas no meu peito, esta dor…
Vai-me dizendo que não.
Porque um dia tive sim
Um amor que já partiu,
E que foi também p’ra mim
Como flor desfolhada …
Que nunca mais floriu.
Já não quero mais amor
Nem as dores que ele me deu,
Nem olhar essa flor
Que as pétalas perdeu.

Manuel Assunção




Saudade de ti



Hoje lembrei-me de ti
Com estranha sensação,
A saudade que senti,
Foi vazio, foi solidão.
A saudade que aperta
E aos poucos vai matando,
Lembra a paisagem deserta
Que aos poucos foi secando.
Hoje lembrei-me, vê bem,
Gostava de mandar no vento,
Ordenando-lhe que te levasse,
Meu penar, meu desalento.
E num sussurro vertido,
Numa suave leveza,
Ternamente em teu ouvido,
Transmitisse esta tristeza
Da saudade que senti,
Neste meu espaço perdido...
Quando me lembro de ti.

Manuel Assunção